sábado, 3 de abril de 2010

Lug

Era uma manhã de inverno as margens do lago, gotas de orvalho se misturavam com o gelo que cobria a paisagem, em sua maioria branca pela neve, o vento soprava cortante pelo vale fazendo com que o frio parecesse ainda maior.

Ele deitava encolhido em meio a pele de lobo que ajudava a manter o calor no corpo, tinha sido uma noite muito difícil, mas enfim terminara, agora de manhã nada melhor que se preocupar com a fome que já era adulta.

Ele era um dos últimos de um povo errante, muito incompreendidos mas que em épocas remotas haviam sido senhores. Seus cabelos vermelhos lembravam o fogo, e sua pele branca a neve, talvez fosse por isso que eles eram tão odiados, mas devia ser algo mais, algo que fazia com que os homens os temessem, e o que o homem teme, ele odeia, ele sabia disso por isso andava sozinho vagando por lugares onde sua fama ainda era desconhecida.

Pegou uns galhos de ervas mortas, tentou acender uma fogueira, mas a madeira estava muito molhada para o fogo, e nada podia ser feito alem de saborear o pedaço de toucinho que ainda restava para ser comido.

Duro porém apetitoso, comeu agradecendo ainda ter comida, mas logo essa já não existiria mais, era necessário caçar, e isso seria feito logo após sua prece.

- Oh Lug! Obrigado por mais um dia que me é permitido abrir os olhos e contemplar tamanha grandeza e obrigado pelo alimento que me permite trilhar meu caminho.

E assim feito ele levantou acampamento se assim o podia ser chamado, pois não tinha mais do que podia carregar, e isso já as vezes era muito, um couro de lobo usado para se aquecer, seu quilt que cobria suas vergonhas, seu velho bastão de cedro usado alem de muleta como arma de defesa em inúmeros combates, sua adaga de cobre, velha companheira e cúmplice em suas vontades, sua bolsa de couro de boi, muito útil para guardar o alimento que era caçado.

Tinha escutado antes de fugir da vila em que esteve que havia um povoado muito distante ao norte, e era para lá que ele queria ir, olhou para o céu azul, e se orientou com o sol, e partiu.

Conforme foi abrindo caminho pelo campo nevado ele viu ao longe uma figura que se diferenciava da paisagem , era um cervo, e este estava alheio ao olhos que o admiravam, era uma dádiva e essa oportunidade tinha que ser aproveitada.

Verificou o vento e foi se movimentando bem devagar contra o mesmo em direcção ao animal, cada passa encolhido que dava parecia que o vento o levada dois para trás, em determinado momento sua distancia ficou muito pequena, largou tudo que carregava lentamente na neve que o cercava, puxou a adaga e olhou para o animal que não sabia que seus últimos momentos estavam se esgotando.

Foi-se movimentado como um leão que mira sua presa, sua respiração quase imperceptiva se não fosse a fumaça que ela fazia, e assim quando a distancia não podia ser menor ainda entre eles ele pulou, o susto que o animal levou o fez correr em direcção a sua morte, a adaga cravou em seu pescoço e os braços do caçador abraçaram sua pressa como se disso dependesse sua vida mas a luta não durou mais que alguns segundos, pois o ponto que a adaga perfurou era um ponto vital e por mais que o animal quisesse escapar suas forças se esvaíram rapidamente.

Nenhum comentário:


Super Mario Coin